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Aqui contém cenas explícitas de minha nudez ao avesso, para melhor visualização feche seus olhos. (Mary Backes)

domingo, 31 de julho de 2011

Ou é mesmo verdade que nunca me soubeste?

Sorrio quando penso
Em que lugar da sala
Guardarás o meu verso.
Distanciado dos teus livros políticos?
Na primeira gaveta
Mais próxima à janela?
Tu sorris quando lês
Ou te cansas de ver
Tamanha perdição
Amorável centelha
No meu rosto maduro?

E te pareço bela

Ou apenas te pareço
Mais poeta talvez
E menos séria?
O que pensa o homem
Do poeta? Que não há verdade
Na minha embriaguez
E que me preferes
Amiga mais pacífica
E menos ventura?

Que é de todo impossível

Guardar na tua sala
Vestígio passional
Da minha linguagem?


Eu te pareço louca?

Eu te pareço pura?
Eu te pareço moça?
Ou é mesmo verdade
Que nunca me soubeste?

(Hilda Hilst)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

De tudo ficar tão nitidamente aquilo mesmo


"O modo súbito do ponto cair no i, essa maneira de caber inteiramente no que existia e de tudo ficar tão nitidamente aquilo mesmo — era intolerável." 

(Clarice Lispector in: Felicidade Clandestina. Ed. Rocco, p. 85)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Não era uma posição o que eu procurava


“Virava pra lá e pra cá na cama. Estava impaciente. Até me sentei no escuro. Pensei: Não era uma posição o que eu procurava. Era você…”
  (Caio Fernando Abreu)

domingo, 3 de julho de 2011

‘Olá estranho’


Foi exatamente e nos passos em camera lenta, com o cabelo vermelho, curto e desarrumado, não mais que sua roupa, andando sem rumo, contrastando entre alinhados ingleses que seguem firmes e constantes para seus ofícios, que ela surgiu. Com um sorriso sarcástico, de canto de boca, como se soubesse o que lhe esperava. Apesar do tempo passar igual para todos, apesar dos passos seguirem o mesmo ritmo e direção, os seus pensamentos certamente não seguem o mesmo padrão cronológico imposto.

‘Olá estranho’… 

 

Foi assim, desta forma, que me apaixonei pela primeira vez por ela, primeira, pois não seria a única.



Quando Alice chama Dan de ‘estranho’, nos primeiros minutos do filme, está na verdade definindo a verdadeira forma com a qual as pessoas criam suas convicções, todas baseadas na estranheza. A estranheza que nos une, pelo encantamento do desconhecido, a estranheza que nos separa, quando nossos conhecidos, se mostram estranhos novamente. Se pensarmos um pouco, veremos que no fundo, a vida é um eterno ciclo, que termina exatamente e ironicamente, no ponto de partida.

* Extraído do blog:  http://www.gelonegro.com.br/?p=3380