Não se perca ao entrar...

Aqui contém cenas explícitas de minha nudez ao avesso, para melhor visualização feche seus olhos. (Mary Backes)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Deixe-me pois pensar...


"É possível que só as árvores tenham raízes, mas o poeta sempre se alimentou de utopias. Deixe-me pois pensar que o homem ainda tem possibilidades de se tornar humano." 

(Eugénio Andrade)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Silenciosamente eu te falo com paixão...

 
Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz.
 
(Lulu Santos - Certas coisas)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Além do homem, o homem que somos além


Toda idéia que nos ultrapassa sem tomar sua medida no homem, nos aniquila. Para nos ultrapassarmos, temos primeiro de atingir o limite-homem. No mais extremo limite, começamos a ser mais do que homens.

(Lúcio Cardoso, in "Diário de Terror", Esboços para uma teoria da danação)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Meu corpo marcado de ti


O meu corpo marcado de ti
repousa dobrado
no linho branco
dos espasmos com sabor a quente
com sentir molhado.

E nos meus olhos brilha um desejo
apaziguado
mas não saciado.

No meu corpo marcado de ti
há sinais visíveis
do amor
que fizeste em mim!

(Gabriela Moura, 1950, Portugal in "Escritas" - Poetas Eróticos) 

Extraído do blog: http://lontrices.blogspot.com/

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Se ela é sua, por que é que você não consegue tê-la?


"Mas mesmo depois de passar a noite em sua companhia, depois que ela vai para casa não consigo dormir. A experiência de ter estado com ela é forte demais. Fico sentado na cama, e no meio da noite grito: "Consuela Castillo, me deixe em paz!". Chega, digo a mim mesmo. Levante-se, troque as roupas de cama, tome mais um banho, livre-se do cheiro dela, e depois livre-se dela. É preciso. Sua vida virou uma campanha incessante por causa dela. Cadê a sensação de realização, de posse? Se ela é sua, por que é que você não consegue tê-la? Você não consegue ter o que você quer mesmo depois de obter o que você quer."

(Philip Roth in: O animal agonizante. Ed. Companhia das Letras, p. 38-39) 


Extraído do blog:  http://vemcaluisa.blogspot.com

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Volubilidade de pássaro


(...) Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave.
 
(Vinícius de Moraes)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

sábado, 17 de setembro de 2011

Eu me dôo inteira


– É que nessas coisas de amor eu sempre dôo demais…
– Você usou o verbo ‘doer’ ou ‘doar’?
 
(Pausa)

– Pois é, também dá no mesmo...

(Caio Frenando Abreu)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Quero ficar só com você


Enquanto a vida vai e vem, você procura achar alguém que um dia possa lhe dizer:

Quero ficar só com você. 

(Renato Russo)
   

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Deixe eu te amar


Você deveria deixar eu te amar
Deixe eu ser aquele que
Lhe dá tudo que você quer e precisa
Querida, bom amor e proteção
Faça a sua seleção
Vou te mostrar como deve ser o amor
Querida, você deveria deixar eu te amar
 
Então, podemos tornar isso nosso?

(Trecho traduzido da música Let me love you - Mario Winans)

domingo, 4 de setembro de 2011

Mas o sorriso (...)


"Muita coisa que ontem parecia importante ou significativa amanhã virará pó no filtro da memória. Mas o sorriso (...) ah, esse resistirá a todas as ciladas do tempo."

(Caio Fernando Abreu)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sugestão para atravessar agosto


Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu — sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antônio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún, ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à luz da lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
(Caio F. Abreu in Pequenas Epifanias)

domingo, 31 de julho de 2011

Ou é mesmo verdade que nunca me soubeste?

Sorrio quando penso
Em que lugar da sala
Guardarás o meu verso.
Distanciado dos teus livros políticos?
Na primeira gaveta
Mais próxima à janela?
Tu sorris quando lês
Ou te cansas de ver
Tamanha perdição
Amorável centelha
No meu rosto maduro?

E te pareço bela

Ou apenas te pareço
Mais poeta talvez
E menos séria?
O que pensa o homem
Do poeta? Que não há verdade
Na minha embriaguez
E que me preferes
Amiga mais pacífica
E menos ventura?

Que é de todo impossível

Guardar na tua sala
Vestígio passional
Da minha linguagem?


Eu te pareço louca?

Eu te pareço pura?
Eu te pareço moça?
Ou é mesmo verdade
Que nunca me soubeste?

(Hilda Hilst)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

De tudo ficar tão nitidamente aquilo mesmo


"O modo súbito do ponto cair no i, essa maneira de caber inteiramente no que existia e de tudo ficar tão nitidamente aquilo mesmo — era intolerável." 

(Clarice Lispector in: Felicidade Clandestina. Ed. Rocco, p. 85)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Não era uma posição o que eu procurava


“Virava pra lá e pra cá na cama. Estava impaciente. Até me sentei no escuro. Pensei: Não era uma posição o que eu procurava. Era você…”
  (Caio Fernando Abreu)

domingo, 3 de julho de 2011

‘Olá estranho’


Foi exatamente e nos passos em camera lenta, com o cabelo vermelho, curto e desarrumado, não mais que sua roupa, andando sem rumo, contrastando entre alinhados ingleses que seguem firmes e constantes para seus ofícios, que ela surgiu. Com um sorriso sarcástico, de canto de boca, como se soubesse o que lhe esperava. Apesar do tempo passar igual para todos, apesar dos passos seguirem o mesmo ritmo e direção, os seus pensamentos certamente não seguem o mesmo padrão cronológico imposto.

‘Olá estranho’… 

 

Foi assim, desta forma, que me apaixonei pela primeira vez por ela, primeira, pois não seria a única.



Quando Alice chama Dan de ‘estranho’, nos primeiros minutos do filme, está na verdade definindo a verdadeira forma com a qual as pessoas criam suas convicções, todas baseadas na estranheza. A estranheza que nos une, pelo encantamento do desconhecido, a estranheza que nos separa, quando nossos conhecidos, se mostram estranhos novamente. Se pensarmos um pouco, veremos que no fundo, a vida é um eterno ciclo, que termina exatamente e ironicamente, no ponto de partida.

* Extraído do blog:  http://www.gelonegro.com.br/?p=3380

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Poderia ter sido melhor mas...


Estes três pontinhos se acumularam em nossos momentos, poderia ter sido melhor mas... 
Mas não houve troca, a alma não foi alimentada, a moradia em teus braços não estava sendo aconchegante e a sensibilidade não existia.
Eu parti,
mas não te deixei.
Parti os laços que não souberam ser afetivos. 
Outros laços surgirão, não serão laços vermelhos mas continuarão sedosos e a cor dependerá da intensidade da nossa amizade.

Ou toca, ou não toca.


“Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão. Tranqüilidade e inconstância, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer… Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato. Ou toca, ou não toca.”

(Clarice Lispector)

domingo, 12 de junho de 2011

Muito além do que se manifesta – Peanuts


... Eu estava tomando café com um amigo. Ele estava externando seu momento de impaciência com a esposa. A determinada altura, ele entornou a chorumela:

— Estou ficando velho! Não tenho mais paciência para certas coisas de minha mulher. Eu não a entendo. Ela parece agir de modo contrário ao que deseja, e parece dizer o que não está querendo dizer. Se lido com o que ela diz, as coisas complicam… Se lido com a forma como ela age, erro… Não estou conseguindo mais equacionar essa contradição entre o manifesto e o latente na alma feminina…


Numa linguagem meio tecniquês, mas que ele compreende bem, eu sugeri:


— Enquanto você estiver determinado a lidar com o manifesto, e não resolver desnudar as ambivalências do que está por detrás, nos terrenos não-manifestos e latentes, vai se frustrar enormemente… Se ela for surpreendida nesse terreno mais profundo, que vem à superfície camuflado, e por vezes invertido, provavelmente você ganhará mais traquejo no trato com ela.



 






Em resumo, o homem que interagir apenas com o manifesto e verbalizado mundo feminino não terá compreendido da missa a metade.
 









(A tirinha de Charles M. Schulz foi publicada em 16 de novembro de 1951. Cf: Peanuts Completo: 1950 a 1952. 4a. edição. Trad. de Alexandre Boide. Porto Alegre-RS: L&PM, 2011, p. 118)  http://amadeudeprado.wordpress.com/page/2/

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Um dia resolvi encará-lo de frente!


Acho que a vida anda passando a mão em mim
a vida anda passando a mão em mim
acho que a vida anda passando
a vida anda passando
acho que a vida anda
a vida anda em mim
acho que há vida em mim
a vida em mim anda passando
acho que a vida anda passando a mão em mim


e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás

um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos

acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando

(Do livro Pensamento do Chão, de Viviane Mosé)


A alguns anos atrás minha Psicóloga me presenteou com este texto que fez enxergar que havia muita vida em mim e eu a estava disperdiçando deixando ser comida pelo tempo. Texto maravilhoso, minha primeira reflexão sobre a vida! Desde então, eu e o tempo somos bons amigos, andamos sempre de mãos dadas ele tem me ensinado tanta coisa...Tem me renovado a cada dia!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Combinado?


"Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser o nosso… segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: “Eu sobrevivi”
 
(Chris Cleave, in Pequena Abelha)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Pensar já era!


 "Abaixo a razão e o pensamento! O negócio é só sentir, meu irmão, só sentir.  
Pensar já era. Pensar acabou, não se usa mais."  
(Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência.

 
 "A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário... por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo."

(Caio F.)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Flying in


É disto que preciso! Preciso de um amor que tenha asas para me fazer companhia em vôos tão altos que a superfície não se faça mais visível.

sábado, 21 de maio de 2011

Mas eu sei que os meus lábios são transmutação de alguma coisa planetária.


"Eu estou sempre aqui, olhando pela janela. Não vejo arranhões no céu nem discos voadores. Os céus estão explorados mas vazios. Existe um biombo de ossos perto daqui. Eu acho que estou meio sangrando. Eu já sei, não precisa me dizer. Eu sou um fragmento gótico. Eu sou um castelo projetado. Eu sou um slide no meio do deserto. Eu sempre quis ser isso mesmo. Uma adolescente nua, que nunca viu discos voadores, e que acaba capturada por um trovador de fala cinematográfica. Eu sempre quis isso mesmo: armar hieróglifos com pedaços de tudo, restos de filmes, gestos de rua, gravações de rádio, fragmentos de tv. Mas eu sei que os meus lábios são transmutação de alguma coisa planetária. Quando eu beijo eu improviso mundos molhados. Aciono gametas guardados. Eu sou a transmutação de alguma coisa eletrónica. Uma notícia de saturno esquecida, uma pulseira de temperaturas, um manequim mutilado, uma odalisca andróide que tinha uma grande dor, que improvisou com restos de cinema e com seu amor, um disco voador."

Fragmentos do texto Disco Voador de Fausto Fawcet

terça-feira, 3 de maio de 2011

Desejo


Se o desejo quebrasse todos os limites, certamente teria superado a velocidade do pensamento e estaria ao seu lado agora.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Apenas pertencia a si mesma e ao seu mundo possível; por isso, e só por isso, brincava e era feliz.


Não, ela dizia não a quem dissesse que ela sofreria por não seguir os mandamentos sociais. Na verdade, sofria às vezes por viver numa sociedade que não questionava suas estruturas e que parecia satisfeita com mentiras e aparências. Não, ela não pertencia ao peso dos tradicionalismos irrefletidos, das aparências e das mentiras - ela amava ser livre. 
 Ela pertencia aos céus, aos mares, às estrelas. Ela pertencia ao mundo, aos sabores, aos sorrisos. Ela pertencia às delicadezas, às músicas, aos ventos. Ela pertencia somente à candura de seus braços - finos e felizes; era leve porque não permitia que ninguém a dirigisse e, por isso, compreendia em silêncio a alma de todos homens. Não queria mudar o mundo, apenas gostaria de conhecê-lo mais e mais, e de viver, serena e confortável,  desfrutando dos jogos e dos sabores deste mundo. Ela não parecia humana - mas angelical; isso porque, ela flutuava em raridade, tal qual um anjo bom, que apenas pertencia a si mesma e ao seu mundo possível; por isso, e só por isso, brincava e era feliz. 
(Renata Rodrigues Ramos)


* Retirado do blog: http://renatarodriguesramos.blogspot.com/

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A beleza, claro, não é uma banalidade cultivável


“Talvez ela não soubesse de nada disso. Talvez não tivesse se dado conta de que na luz iridescente dispersa por aquele prisma estava a certeza de que ela era a mulher da minha vida, porque só a mulher da minha vida poderia ter me feito entender a beleza. A beleza, claro, não é uma banalidade cultivável em academias de ginástica e mesas de cirurgiões plásticos, não é um bem comprável em lojas de móveis caros, não é uma senha guardada por esteticistas, decoradores, estilistas. É a minúscula e poderosa alegria de um gesto. Um toco de lápis, uma pequenina cicatriz na pele, o sol sobre a calçada rachada diante da papelaria, à tarde.”
 
(Adriana Lisboa)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sentimentos e sua origem nos juízos


“Confia em teu sentimento!” — Mas sentimentos não são nada de último, originário; por trás dos sentimentos há juízos e estimativas de valor, que nos foram legados na forma de sentimentos (propensões, aversões). A inspiração que provém do sentimento é o neto de um juízo — e muitas vezes de um juízo falso! — e, em todo caso, não de teu próprio juízo! Confiar em seu sentimento — isto significa obedecer mais ao seu avô e à sua avó e aos avós deles do que aos deuses que estão em nós: nossa razão e nossa experiência.
 
(Friedrich Nietzsche)


* Retirado do blog: http://amadeudeprado.wordpress.com/ 

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Nenhum homem é uma ilha


"Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar dos teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano, e por isso não me perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti."
(John Donne)


* Nenhum homem é uma ilha, somos todos interligados. Vamos sentir o calor humano!!
A convivência com as pessoas é a nossa essência, não esqueçam de sentir. Eu sinto muito!!

sábado, 9 de abril de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O primeiro indício de um nós


Se dois homens ou duas mulheres têm de partilhar por algum tempo o mesmo espaço (em viagem, numa carruagem-cama ou numa pensão superlotada), não é raro nascerem nessas situações amizades muito singulares. Cada um tem a sua maneira especial de lavar os dentes, de se curvar para descalçar os sapatos ou de encolher as pernas para dormir. A roupa interior, e o resto do vestuário, embora semelhantes, revelam, no pormenor, inúmeras pequenas diferenças a um olhar atento. A princípio — provavelmente devido ao individualismo excessivo do modo de vida atual — existe qualquer coisa como uma resistência semelhante a uma leve repugnância e que rejeita uma aproximação maior, uma ofensa contra a própria personalidade, até ao momento em que essa resistência é superada para dar lugar a uma comunidade que revela uma estranha origem, como uma cicatriz. Muitas pessoas mostram-se, depois de uma tal transformação, mais alegres do que normalmente são; a maior parte mais inofensivas; uma boa parte delas mais faladoras; e quase todas mais amáveis. A sua personalidade mudou, quase se poderia dizer que foi trocada, subcutaneamente, por outra, menos marcada: no lugar do eu surge o primeiro indício de um nós, claramente sentido como um mal-estar e uma diminuição, mas, no fundo, irresistível.

(Robert Musil)

segunda-feira, 28 de março de 2011

Onde és vocal, eu orquestra


Danço em tua pele,
o som do teu gemido
Murmúrios de música sussurrada, gemida,
onde és vocal, eu orquestra.
 

.
o teu corpo suado,
ao ritmo em despudor do meu compasso.
Roça teus sentidos.

 .
Deslizo nas gotas, que chovem do teu desejo ,
e me entranho no teu prazer.
Um ir e vir constante,
forte, selvagem e louco .
Tremo no teu tremor
que se contorce.
Um transe.
.
me aperta ,
se enxarca
me arranha.
e num gozo forte, túmido
e sem controle
chora feliz um riso nervoso...


(Maurizio Bersani)

quinta-feira, 17 de março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

Só não se perca ao entrar...


Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
 No meu infinito particular

(Marisa Monte - Infinito particular)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Ver além de mim mesma


"(...)  é a primeira vez que encontro alguém que procura as pessoas e que vê além. (...) Nunca vemos além de nossas certezas e, mais grave ainda, renunciamos ao encontro, apenas encontramos a nós mesmos sem nos reconhecer nesses espelhos permanentes. (...) se tomássemos consciência do fato de que sempre olhamos apenas para nós mesmos no outro, que estamos sozinhos no deserto, enlouqueceríamos. (...) Do meu lado suplico meu destino que me conceda a chance de ver além de mim mesma e encontrar alguém."

(Muriel Barbery in: A elegância do ouriço)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Em férias


Amigos blogueiros!
Ficarei ausente por um tempo, estou saindo de férias!! Hummm...Praia me espera, hehe ;)
Respondo coméntarios e visito aos seus blogs assim que retornar. 
Boas férias a todos...Sentirei saudades!!