Não se perca ao entrar...

Aqui contém cenas explícitas de minha nudez ao avesso, para melhor visualização feche seus olhos. (Mary Backes)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Então, minha querida Amélie

"Não tem ossos de vidro.
Pode suportar os baques da vida.
Se deixar passar essa chance, então,
com o tempo seu coração ficará tão
seco e quebradiço quanto meu esqueleto.
Então, vá em frente, pelo amor de Deus."

(Trecho do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain)

sábado, 28 de agosto de 2010

Eu te desejo...


 Eu te desejo vida, longa vida
Te desejo a sorte de tudo que é bom
De toda alegria ter a companhia
Colorindo a estrada em seu mais belo tom
Eu te desejo a chuva na varanda

Molhando a roseira pra desabrochar
E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar

E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar

Eu te desejo a paz de uma andorinha
No vôo perfeito contemplando o mar
E que a fé movedora de qualquer montanha
Te renove sempre, te faça sonhar

Mas se vier as horas de melancolia
Que a lua tão meiga venha te afagar
E a mais doce estrela seja tua guia
Como mãe singela a te orientar

Eu te desejo mais que mil amigos
A poesia que todo poeta esperou
Coração de menino cheio de esperança
Voz de pai amigo e olhar de avô

Coração de menino cheio de esperança
Voz de pai amigo e olhar de avô

Eu te desejo - Flávia Wenceslau






quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A vida só se dá pra quem se deu


Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não

Vinícius de Moraes

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Por favor...


Quero te conhecer menos, mexer menos em teus objetos, em tuas gavetas, em tuas roupas.
Que seja dispensado das cartas, do que levas na bolsa, de teus filmes prediletos, de teus diários, de teus pentes, de tuas jóias em estojo de diploma, de teu escapulário da primeira comunhão, de teus blusões em fila dupla, de teus varais com as roupas ao avesso, de tuas superstições de consultar as portas de noite, de tua fobia em atender telefone, de tua ânsia em me contar as novidades, de tua loucura em me agüentar, de tua sabedoria em me acalmar, de tua facilidade em se dividir com as amigas, de tua coleção de brincos quebrados, dos álbuns de fotografias em ordem cronológica, dos clipes emendados uns nos outros no
computador, dos bilhetes amarelos na geladeira, de tua compulsão em comprar presentes, de tua mania de consultar o horóscopo, dos teus quindins, de tua mania em dormir enroscada, de salgar a comida um pouco mais do que se deveria.
Não me mande mais nada. Não me dê lembranças, músicas, poemas, sapatos, isqueiros, não quero juntar esmolas de tuas coisas, não quero fazer um santuário de tuas coisas, não quero encaixotar tuas coisas, não
quero peregrinar as mãos em tuas coisas como se fosse tua mão esperando na mesa. Minha mão ossuda depende de tua pele para respirar folgas.
Tiras proveito da consciência que vou formando de ti enquanto me desinformo do mundo. Não desejo descobrir o que tocaste senão amarei muito mais do que se tivesse tocado. Não me fales "gosto daquilo" que já estarei gostando junto. Evite comentários.
Não me digas "vamos naquele restaurante" que será mais um lugar para te esperar. Não inventes deitar na grama no domingo que o sol grudará nos dentes.
Não narres aos ouvidos da cama o que podemos sentir.
Não ponhas trilha no celular, não troques as almofadas, não escolhas as toalhas e os lençóis, controla essa mania de se espalhar por tudo, de botar teu cheiro por dentro de minha boca.
Não abras mais o leite sem romper o lacre, não deixes a gaveta entreaberta, a torneira entreaberta, meu corpo entreaberto. Não reclames do que não fiz, que farei de novo para chamar tua atenção.
Não arrumes minha gravata, que me acostumarei a pedir conselhos. Não arrumes minha gola que o vento é mesmo enviesado. Quero te conhecer menos para não sofrer depois tanto tua perda.
Mas deveria ter dito isso antes.
Fabrício Carpinejar

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Me encante...


Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar…

Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.

Me acarinhe se quiser…
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos…
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar…

E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar…

Me encante com suas palavras…
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.

Me encante com serenidade…
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.

Me encante como você fez com o seu primeiro namorado…
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.

Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva….

Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre…
Mas, me encante de verdade, com vontade…

Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias…
Pelo resto das nossas vidas!!!

Pablo Neruda

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Dia Mundial da Fotografia

Hoje, comemoramos o Dia Mundial da Fotografia, a arte de compor e escrever com a luz.

Ansel Adams
“No ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos” – Ansel Adams

 
Henri Cartier-Bresson
 “De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório” - Henri Cartier-Bresson

Aproveito a data para mandar um abraço especial para o fotógrafo e amigo blogueiro Joffre Oliveira.

Uma desiludida cheia de ilusões

"Sou uma céptica que crê em tudo, uma desiludida cheia de ilusões, uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida, uma indiferente a transbordar de ternura. Grave e metódica até à mania, atenta a todas as subtilezas de um raciocínio claro e lúcido, não deixo, no entanto, de ser um D. Quixote fêmea a combater moinhos de vento, quimérica e fantástica, sempre enganada e sempre a pedir novas mentiras à vida, num dar de mim própria que não acaba, que não desfalece, que não cansa”
Florbela Espanca

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Avisos às borboletas


Rompi minha crisálida. Agora sou uma borboleta feliz e ansiosa que fia com urgência sua historia. Sei que minha existência é breve e preciso projetar para o mundo o tempo em que hibernei. No meu ciclo de larva eu já recolhia toda – a metamorfose das cores, o veneno necessário, a experiência do mel. Involuntariamente eu me construía para o centro, sugava com as patas a seiva das plantas, me preparava para o dia de voar. Mal podia supor que as minhas asas seriam essa tatuagem de todas as formas, sobreposições de escamas cintilantes igual a um telhado suspenso no ar. Asas, minha enseada e minha perdição. Acho mesmo que as antenas aguçadíssimas e os olhos sensíveis ao som vieram dessa minha vontade de ir sempre além. E arriscado voar e é por isso que eu vôo. Sou, atraída por novas montanhas e desconhecidas planícies.
Não posso esperar porque o tempo que me pertence é uma única estação. Vôo para estar na aventura do vôo e vôo também pelas borboletas domesticadas que perderam a ousadia de voar. São asas que se tornaram apenas ombros, “os ombros suportam o mundo”, como o poeta escreveu. Vôo sim. Já tenho até na asa esquerda algumas violências de pássaros que não são nenhuma ilusão de ótica. É ferida mesmo, marcas do bico de um predador que me avistou nas asas da descoberta e  quis me prender. Me feriu, mas em troca recebeu o gosto do meu veneno. Não nasci para perpetuar apenas a doçura do néctar, a seiva que trago no corpo é também minha senha e minha alma. Simples, a minha natureza é feita de círculos, de quebra de planos, de espirais. Não tenho nada a ver com o vôo em linha reta. Sou responsável por mim e pela minha aventura de outras borboletas. Minha vida é transgredir. Afinal de contas voar é com os pássaros, e inverter o rumo das coisas, migrar sem descanso no horizonte da procura, é com as borboletas. Por isso a minha historia, aconteça o que acontecer, só deve valer para quem sabe que toda a verdade é sempre um pedaço de uma outra e que o vôo mais urgente é revolucionar jardins. 
Jorge Miguel Marinho

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Quando ameaça a doer ...


"Porque esse talvez seja o único remédio quando ameaça a doer demais: invente uma boa abobrinha e ria, feito louco, feito idiota, ria até que o que parece trágico perca o sentido e fique tão ridículo que só sobra mesmo a vontade de dar uma boa gargalhada"

Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Escove a alma com flores


Enfeite-se com margaridas e ternuras
E escove a alma com flores
Com leves fricções de esperança
De alma escovada e coração acelerado
Saia do quintal de si mesmo
E descubra o próprio jardim...
 
Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Close


Quando
...a saudade
se converte
em canto
agudo,
vejo um filtro
sobre as imagens
– quadro a quadro –
em um segundo...
é teu rosto
sorridente,
sobrepondo-se
a tudo.

Como num filme...
protagonizas
a minha vida
e o meu mundo.
Então, foco
em ti
minha objetiva,...
todo o resto
sendo só
pano de fundo.

(André L. Soares)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Escolha

Foto Jean-Baptiste Mondino

 Apesar do medo
escolho a ousadia
Ao confronto das algemas, prefiro
a dura liberdade.
Voo com o meu par de asas tortas,
sem o tédio da comprovação.


Opto pela loucura, com um grão
de realidade:
meu ímpeto explode o ponto,
arqueia a linha, traça contornos
para os romper.


Desculpem, mas devo dizer:
eu
quero o delírio.

Lya Luft

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Um pouco de silêncio


Nunca esqueci a experiência de quando alguém botou a mão no meu ombro de criança e disse:
- Fica quietinha um momento só, escuta a chuva chegando.
E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva: nela a gente se refaz para voltar mais inteiro ao convívio, às tantas frases, às tarefas, aos amores.
Então, por favor, dêem isto: um pouco de silêncio bom para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas lajes, e tudo o que fala muito para além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos.
Lya Luft

domingo, 1 de agosto de 2010

Borboleta

Vai filha, e busca ser quem se quer ser.
Vai e vira borboleta na vida. Voa , filha.
Por que se depender do medo meu amor,
você morre no casulo das dúvidas.

Priscila Rôde