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Aqui contém cenas explícitas de minha nudez ao avesso, para melhor visualização feche seus olhos. (Mary Backes)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A beleza, claro, não é uma banalidade cultivável


“Talvez ela não soubesse de nada disso. Talvez não tivesse se dado conta de que na luz iridescente dispersa por aquele prisma estava a certeza de que ela era a mulher da minha vida, porque só a mulher da minha vida poderia ter me feito entender a beleza. A beleza, claro, não é uma banalidade cultivável em academias de ginástica e mesas de cirurgiões plásticos, não é um bem comprável em lojas de móveis caros, não é uma senha guardada por esteticistas, decoradores, estilistas. É a minúscula e poderosa alegria de um gesto. Um toco de lápis, uma pequenina cicatriz na pele, o sol sobre a calçada rachada diante da papelaria, à tarde.”
 
(Adriana Lisboa)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sentimentos e sua origem nos juízos


“Confia em teu sentimento!” — Mas sentimentos não são nada de último, originário; por trás dos sentimentos há juízos e estimativas de valor, que nos foram legados na forma de sentimentos (propensões, aversões). A inspiração que provém do sentimento é o neto de um juízo — e muitas vezes de um juízo falso! — e, em todo caso, não de teu próprio juízo! Confiar em seu sentimento — isto significa obedecer mais ao seu avô e à sua avó e aos avós deles do que aos deuses que estão em nós: nossa razão e nossa experiência.
 
(Friedrich Nietzsche)


* Retirado do blog: http://amadeudeprado.wordpress.com/ 

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Nenhum homem é uma ilha


"Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar dos teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano, e por isso não me perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti."
(John Donne)


* Nenhum homem é uma ilha, somos todos interligados. Vamos sentir o calor humano!!
A convivência com as pessoas é a nossa essência, não esqueçam de sentir. Eu sinto muito!!

sábado, 9 de abril de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O primeiro indício de um nós


Se dois homens ou duas mulheres têm de partilhar por algum tempo o mesmo espaço (em viagem, numa carruagem-cama ou numa pensão superlotada), não é raro nascerem nessas situações amizades muito singulares. Cada um tem a sua maneira especial de lavar os dentes, de se curvar para descalçar os sapatos ou de encolher as pernas para dormir. A roupa interior, e o resto do vestuário, embora semelhantes, revelam, no pormenor, inúmeras pequenas diferenças a um olhar atento. A princípio — provavelmente devido ao individualismo excessivo do modo de vida atual — existe qualquer coisa como uma resistência semelhante a uma leve repugnância e que rejeita uma aproximação maior, uma ofensa contra a própria personalidade, até ao momento em que essa resistência é superada para dar lugar a uma comunidade que revela uma estranha origem, como uma cicatriz. Muitas pessoas mostram-se, depois de uma tal transformação, mais alegres do que normalmente são; a maior parte mais inofensivas; uma boa parte delas mais faladoras; e quase todas mais amáveis. A sua personalidade mudou, quase se poderia dizer que foi trocada, subcutaneamente, por outra, menos marcada: no lugar do eu surge o primeiro indício de um nós, claramente sentido como um mal-estar e uma diminuição, mas, no fundo, irresistível.

(Robert Musil)